O que são e como é o diagnóstico?
Postado em: 19/06/2023
O que são?
Miomas Uterinos ou miomas são alterações benignas do músculo e tecido conjuntivo do útero, que se proliferam de forma anômala, formando estruturas que parecem bolas. A maioria das coisas que se proliferam de forma anômala no corpo recebem o nome de tumor, mas CALMA, NEM TODO TUMOR É CÂNCER.
Os tumores podem ser benignos (não cancerígenos) ou malignos (cancerígenos). Ou seja, os miomas são tumores benignos do corpo do útero (ver – meu mioma pode virar câncer?).

Ter miomas não é sinônimo de ter uma doença ou um problema. Um número enorme de mulheres vai desenvolver miomas ao longo da vida. Em algumas populações, esse número pode chegar a até 70%!
Na grande maioria das vezes, os miomas não causam nenhum sintoma e não requerem nenhum tipo de tratamento. Além disso, sabemos que a presença de miomas tem um importante fator genético, ou seja, se sua mãe, irmã ou tias têm ou tiveram miomas, há grandes chances de eles aparecerem em você!
Os miomas são dependentes de hormônios e por isso aparecem mais comumente após a puberdade, tendendo a regredir após a menopausa. Bolinhas no útero com crescimento ou sangramento após a menopausa geralmente NÃO SÃO MIOMAS e devem ser investigadas e tratadas de outra forma.
Quando devo procurar tratamento para os meus miomas? Quais os sintomas principais?
A depender do tamanho e do local onde estão, os miomas podem causar:
- Sangramento menstrual aumentado;
- Dor pélvica/cólicas;
- Aumento do volume abdominal;
- Sintomas de compressão dos órgãos próximos: compressão da bexiga, levando a sintomas urinários, ou compressão do intestino, podendo levar à constipação;
- Infertilidade (se os miomas obstruem uma trompa ou se ocupam toda a cavidade do útero onde se implantaria um embrião);
- Dificuldades antes da implantação de um embrião, durante o processo de fertilização assistida.
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DE MIOMAS UTERINOS?
Pela alta prevalência, os miomas uterinos são frequentes achados incidentais de exames. Ou seja, eles não têm nenhum sintoma, porém por algum motivo, foi solicitado algum exame que os identificasse.
Quando existem queixas diante de uma suspeita da presença de miomas, podem ser solicitados exames para confirmação diagnóstica e avaliação do número, tamanho e posição dos miomas. Os exames de escolha geralmente são o ultrassom ou a ressonância magnética. Contudo, o diagnóstico também pode ser feito através de outros exames, como a histeroscopia.
O tratamento para os miomas é muito variado e depende do tamanho dos miomas, localização deles, idade da paciente e desejo reprodutivo/desejo de preservar o útero.
Entre os principais métodos para tratamento estão:
Métodos farmacológicos (levam ao controle dos sintomas)
Controle dos sintomas com anticoncepcionais, DIU medicados, antiinflamatórios, análogos de GnRH.
Cirurgia
Miomectomia – retirada dos miomas apenas. Que pode ser feita por algumas vias:
- Videolaparoscopia/Robótica – se os miomas são grandes, eles podem ser retirados sem abrir um corte grande na barriga, com um aparelho que se chama morcelador. Se esse for o seu caso, certifique-se de que seu médico utilizará o morcelador com todos os devidos cuidados, como usar um saco para envolver os miomas antes de iniciar o morcelamento. São retirados os miomas e são dados pontos no útero no local de retirada;
- Aberta (laparotomia) – geralmente é feito um corte tipo de cesárea, são retirados os miomas e são dados pontos no útero no local de retirada.
Histeroscopia – Miomas pequenos a médios que ocupam a cavidade do útero podem ser retirados por histeroscopia, sem cortes. Pode ser necessário 1 ou mais procedimentos para a retirada completa e existem algumas condições específicas do posicionamento dos miomas para que a histeroscopia seja uma opção viável.
A miomectomia é uma cirurgia que pode ser simples ou ter alguns riscos, sendo o principal risco de ter um sangramento ou hemorragia. Isso porque o útero é um órgão que recebe muito sangue e os cortes geralmente levam a sangramentos que devem ser controlados rapidamente.
Existem algumas estratégias que o médico pode adotar para reduzir o sangramento, como a ligadura temporária das artérias que levam sangue para o útero (artérias uterinas), o uso pré-operatório de medicações que diminuem o tamanho dos miomas (como análogos de GnRH) e alguns tipos de ‘colas’ que são usadas no procedimento para diminuir o tempo de sutura/pontos no útero.
Histerectomia (retirada do útero) – Também pode ser por diversas vias, a depender do tamanho do útero e da experiência/preferência do cirurgião.
Geralmente é a opção preferida em mulheres com prole constituída, pois os miomas tendem a voltar após alguns anos e a miomectomia é uma cirurgia com mais riscos. Contudo, para algumas mulheres a preservação do útero tem uma grande importância na sexualidade e identidade feminina, podendo ser preservado. Esse procedimento também pode ser feito com as técnicas:
- Videolaparoscopia/Robótica – cirurgia por furinhos na barriga, e retirada do útero geralmente por via vaginal;
- Aberta (laparotomia) – geralmente também por corte, semelhante a uma cesárea, e retirada via abdominal.
OUTROS MÉTODOS para tratamento
– Embolização de miomas. A embolização é um método que tem indicações bem específicas. É um método relativamente novo que não é facilmente disponível e deve ser feito em conjunto com médico radiologista intervencionista ou vascular.
Como funciona?
Um cateter é introduzido nos vasos da perna e é levado até os vasos da pelve e depois para os vasos do útero. Após checar no local determinado, são jogadas algumas esferas dentro do vaso que nutre os miomas, reduzindo o aporte de sangue a ele.
Pode ser uma boa alternativa para algumas pacientes que desejam preservar o útero ou que tenham um risco operatório muito alto.
Geralmente não faz o mioma sumir, mas sim regredir de tamanho (o que pode ser suficiente para reduzir ou eliminar sintomas). Além disso, parece que pode haver interferência também no fluxo sanguíneo para o útero e ovários, podendo antecipar a menopausa ou causar sangramento irregular em uma pequena porcentagem dos casos.

MIOMA PODE VIRAR CÂNCER?
O mioma é um tumor benigno, ou seja, NÃO É UM CÂNCER. Os miomas também não têm a capacidade de se transformar em câncer.
Contudo, alguns miomas podem ser confundidos com outros tumores (bolas de proliferação anômala/aumentada do útero) que são malignos (câncer) como os SARCOMAS do corpo uterino.
Felizmente esse tipo de tumor é bastante raro e o tratamento dele é baseado principalmente em retirada por cirurgia.
Em quem devo suspeitar de sarcoma ou mioma?
– Pacientes com crescimento de miomas na pós menopausa;
– Pacientes com sangramento após a menopausa;
– Crescimento rápido e excessivo de miomas em mulheres de qualquer idade;
– Quando há outros sintomas associados, como corrimento com cheiro muito ruim ou saída de secreção amarelada e fétida pela vagina, perda de peso importante, dor muito intensa entre outros.
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– Posso ter parto normal após uma miomectomia?
DEPENDE
– em casos em que não houve corte e sutura no útero, como a retirada por histeroscopia, muitas vezes é possível manter a via de parto normal.
– Com muitas raras exceções, nos casos em que foi realizada a miomectomia por videolaparoscopia/robótica ou via aberta e a via de parto deve ser cesárea.
O ideal é fazer a cesárea entre 38 e 39 semanas, se for agendada/marcada, ou assim que a paciente apresentar contrações compatíveis com trabalho de parto.
MOTIVO: o útero é um músculo que pode ter contrações como qualquer outro músculo do corpo. Durante o trabalho de parto, essas contrações são intensas e podem ‘forçar’ o local em que foi realizado corte e sutura do útero durante a miomectomia prévia. Esses lugares são pontos mais frágeis e podem apresentar ruptura após várias contrações intensas – cenário de grande urgência que pode representar riscos de vida para mãe e para o feto.
MIOMA PARIDO – JÁ OUVIU FALAR?
É possível parir um mioma? A resposta é: depende de sua definição de parir.
Alguns tipos de mioma são pediculados, ou seja, não ficam firmemente aderidos à parede do útero e ficam ‘pendurados’ por pedículo ou cordinha que contém os vasos que nutrem e drenam o mioma. Em algumas situações, os miomas pediculados podem crescer até se exteriorizarem pelo útero ou pela vagina. Em outros casos, exteriorizar após contrações do útero. Quando isso acontece, geralmente há sangramento e cólicas além do habitual. O diagnóstico é facilmente feito através do exame ginecológico e o tratamento é feito com retirada desse mioma em centro cirúrgico.
Mostrar aqui e apontar para o mioma pediculado.

Espero ter te ajudado a tirar suas dúvidas sobre os “MIOMAS UTERINOS”. Para realizar uma consulta, entre em contato e agende seu horário!
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